The winged seeds, where they lie cold and low,
Each like a corpse within its grave, until
Thine azure sister of the Spring shall blow
In Ode to the West Wind de Shelley
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Através de Semear os quatro cantos do mundo, Isabel Garcia expressa a finitude do ser, num espaço quadrado. Na Galeria Diferença, a obra plástica gera novas leituras. O espaço torna-se num “templo” de ideias. O lugar na transmutação do ser, numa jornada para o infinito. O espectador liberta-se da sua finitude ao imergir no abismo sem fim.
Isabel Garcia evidencia a dicotomia da passagem, evocando constantemente a impossibilidade do espectador em conseguir encerrar, no seu discurso estético, a experiência do caminho da vertigem antes da queda. A ascensão depois do abismo. Em cada desenho, espalha-se um gesto repetitivo, cujo movimento avista duas direcções opostas entre si em forma de “colunas”, delineadas pelo movimento como ventos fortes do oeste, sente-se um tufão, ou o prenúncio de uma nortada. O fluxo da energia move-see multiplica-se como um vórtice, que interliga a terra ao céu, em certa medida, transmuta-se no local onde o observador tem a viabilidade de iniciara sua jornada.
Contemplamos, assim, em cada desenho, a deslocação da matriz, a qual encaminha para os dois sentidos, em que o ser tem a possibilidade de os abarcar. Entre o desdobramento de frottage e o da matriz, brotadas múltiplas fracções das formas a infinitude no finito.
Os ínfimos sinais presenteados por Isabel Garcia, que florescem do chão, manifestam-se como princípio da acção, cujo impulso transfigura a artista num “semeador”. Anima o fluxo de linhas e formas através de conexões do espaço-tempo para outras dimensões. No mundo de ideias, de conceitos e de valores, dos quais germinam o princípio de todas as coisas, num local onde tudo se gera
Num espaço fechado, mas, em simultâneo, aparentemente aberto, derivam passagens através dos desenhos, das portas e das janelas. Apresenta-se quântico, induzido por linhas ocultas e “campos de passagem” cujas variações da posição do trajecto alicia a cada viajante. Assim, o observador vivencia uma viagem a partir de um espaço quadrado, cujas probabilidades de se multiplicarem em vários rumos, convida-nos a alcançar o mistério do efeito perpétuo. Ressoa em quatro cantos as palavras de Ralph Waldo Emerson:
Here about us coils forever
the ancient enigma.
It is faithful to the cause
whence it bad its origin.
It is a perpetual effect,
A great shadow pointing always
to the sun behind us.
Joana Consiglieri
Março de 2022